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Vem aí 14 de Julho Clássico

Público poderá conhecer a música de câmara francesa dos séculos XVIII e XIX, época marcada pela passagem do estilo clássico para o romântico

 

A Aliança Francesa de Florianópolis apresenta mais uma edição do Concertos AF, com uma apresentação gratuita no dia 14 de julho, às 20h, no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), em Florianópolis.

Comemorado desde 1880, o feriado nacional celebra duas datas importantes da história francesa: a tomada da Bastilha em 14 de Julho de 1789 e a Festa da Federação de 14 de Julho de 1790, culminando assim na Fête Nationale (festa nacional). Por aqui, a data será celebrada com música, em um resgate histórico da produção instrumental de câmara do final do século XVIII e primeiras décadas do século XIX, através da trajetória musical de três grandes nomes da música francesa: Joseph Bologne de Saint-George, George Onslow e Louise Farrenc. Artistas que marcaram a história da música francesa, conseguindo um destaque incomum para a época, se tratando de nomes como o de uma mulher e de um afro-descendente.

A francesa Louise Farrenc (1804 – 1875) foi uma artista totalmente avessa aos modismos e inovações da época, que se filiou à tradição germânica de composição musical, na linha de Haydn, Beethoven e Schubert. Farrenc destacou-se como uma compositora exclusivamente instrumental: suas obras incluem peças para piano, música de câmara e orquestral. 

Joseph Bologne de Saint-George (1745 – 1799) nasceu em Guadalupe e foi uma das figuras mais importantes na cena musical da segunda metade do século XVIII. Ele foi um dos primeiros músicos com ascendência africana.a ser reconhecido na Europa.

André George Louis Onslow (1784-1853) foi um compositor francês de descendência inglesa. De família rica, o que o deixava livre para compor, ele demonstrou um grande interesse pela ópera, o que é evidente em sua correspondência, porém ele obteve maior destaque pela sua música de câmara.

O repertório será interpretado pelos músicos Ricardo Müller (violino), Tammy Soares (violino), Leonardo Piermartiri (viola), Tácio César Vieira (violoncelo), Gustavo Fontes (contrabaixo), Maurício Zamith (piano), e contará com a direção musical de Ricardo Müller. Toda a apresentação terá audiodescrição via FM disponível, basta o usuário levar o seu fone/rádio e acessar o recurso.

O projeto Concertos AF 2017 é uma realização da Aliança Francesa de Florianópolis, Ministério da Cultura e Governo Federal. Conta com patrocínio da Engie Brasil Energia, através da Lei de Incentivo à cultura. Apoio: Associação Catarinense para Integração do Cego, Fundação Catarinense de Cultura, Governo do Estado de Santa Catarina. Coordenação: Marte Inovação Cultural.

 

Serviço

O quê: Concertos AF | 14 de julho Clássico

Quando: 14/07/2017

Local: Teatro Álvaro de Carvalho (TAC) – Rua Marechal Guilherme, 26 – centro

Horário: 20h

Ingressos:  entrada gratuita, com retirada a partir das 19h na bilheteria do TAC, Sujeito à lotação da sala.

Informações: www.affloripa.com.br ou 3222 8925
Repertório:

 

Joseph Bologne de Saint-George  (1745 – 1799)

Quatour No. 5, Op. 1 en sol mineur  (1773)

Allegro

Rondeau

 

George Onslow  (1784 – 1853) 

String Quintet  No. 21 Op. 51(1836)

Allegro impetuoso

Scherzo – presto

Andante non troppo lento

Finale – presto agitato

 

Louise Farrenc (1804 – 1875)

Piano Quintet No. 1, Op. 30 (1842)

Allegro

Adagio non troppo

Scherzo – presto

Finale – Allegro

 

 

Texto crítico:

 

No período abrangido pelas obras apresentadas aqui, do final do séc. XVIII até meados do séc. XIX, a ópera era um gênero musical de grande relevância, o que se reflete na quantidade de teatros de ópera construídos nessa época. Por outro lado, também era um costume bastante frequente a música executada em casa e nos salões, e o repertório de câmara representava para os compositores não somente mais uma possibilidade financeira como também de uma maior difusão de sua música.

Joseph Bologne Chevaliers de Saint-George (1745-1799) era mulato, filho de um proprietário de terras da Ilha de Guadalupe, na época uma colônia francesa, e de uma escrava. Em 1776 foi proposto a ele o cargo de Diretor da Ópera de Paris, porém a proposta foi barrada devido à sua origem; apesar disso ele se dedicou à composição de óperas, e a esposa do Duque de Orleans o nomeou diretor musical de seu teatro particular, onde ele estreou algumas delas. A maioria de suas peças instrumentais, como os quartetos op.1, foram compostas a partir de 1773, visto que com a morte de seu pai surgiu a necessidade de se manter financeiramente com a venda de suas composições.

André George Louis Onslow (1784-1853) foi um compositor francês de descendência inglesa. Era de família rica, o que o deixava livre para compor. Demonstrava um grande interesse pela ópera, o que é evidente em sua correspondência, porém ele obteve maior destaque pela sua música de câmara. Ele havia composto muito pouco para quarteto até 1835, quando conheceu os últimos quartetos de Beethoven e ficou fascinado por eles, e nos três anos que se seguiram ele compôs os seus quartetos mais significativos (op. 46 a 56). Apesar de ter sido conhecido em sua época o interesse por sua música declinou durante o séc. XIX, e atualmente suas obras têm sido retomadas nas salas de concerto.

A compositora Jeanne-Louise Farrenc (1804-1875) descende de uma linhagem de mulheres artistas, sobretudo pintoras. Em um período em que as mulheres se destacavam somente como intérpretes, ela se sobressaiu não somente como compositora mas também como educadora: em 1842 foi nomeada professora de piano no Conservatório de Paris em 1842, cargo que ocupou até a sua aposentadoria em 1873, e foi a única mulher no século XIX a ocupar um cargo fixo no Conservatório.

Marcos Holler

 

 

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