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Tânia Correa | Simbioses ocultas e especulações profundas

 

“Especulações profundas de simbioses ocultas”

Tânia Corrêa apresenta em suas mais recentes esculturas em cerâmica “Especulações profundas de simbioses ocultas” o universo de seres marinhos que habitam as profundezas dos oceanos. A mostra acontece de 15 de maio a 5 de junho na sede da Aliança Francesa em Florianópolis e tem a curadoria de Antônio Fasanaro e Marina Tavares da Cunha Melo.

A artista natural de Florianópolis ingressou no cenário artístico da Ilha de Santa Catarina em 1986, está prestes de completar 30 anos de carreira marcados por inúmeros  cursos, exposições e prêmios no Brasil e no exterior.

Consciente da importância da preservação do eco sistema marinho e apreciadora da beleza dos corais, recifes, esponjiários, anêmonas, passifloras e rodolitos Tânia Corrêa buscou nestas formas, cores e simbioses a inspiração para criar em cerâmica a sua visão deste ambiente.

O desafio de reproduzir com suas mãos a anatomia nada simplificada destes seres com suas cavernas, poros, superfícies disformes foi vencido pela sua destreza técnica e sua sensibilidade artística.

Nas peças criadas por Tânia Corrêa para esta exposição pequenos agrupamentos foram formados para reproduzir o universo dos seres no fundo do mar. Nessa pequena amostra de habitats uma sugestão de reflexão sobre as simbioses que ali ocorrem.

A exposição “Especulações profundas de simbioses ocultas” atenta para a beleza e a preservação da vida no fundo dos oceanos.

Serviço

“Especulações profundas de simbioses ocultas” de Tânia Corrêa

/// Data: de 15 de maio a 05 de junho de 2014

/// Vernissage: 15 de maio às 19h

/// Local: Aliança Francesa de Florianópolis – Rua Visc. De Ouro Preto 282

/// Entrada gratuita

/// Apoio: Aliança Francesa Florianópolis, Arte Spazio e Studio de Ideias

 Texto Crítico

 

Tânia Correa: Sobre uma exposição que fala do oceano e seus mistérios.

Tânia Correa nasceu em Florianópolis, é ceramista e  pianista, o que já revela uma necessidade intensa do uso das mãos. De fato, diz ela que “ na arte escultórica minhas mãos estão sempre em sintonia com meu cérebro, que dita como transformar as sensações, criando uma nova forma…[…]. É um dialogo silencioso[…] Só eu sei o grande segredo: cumplicidade”. Como entender esta cumplicidade, pacto indizível entre criador e criatura? Cabe-nos apenas um olhar mais distanciado, tentando estabelecer relações. Como sabemos, não existe neutralidade na arte, nem nas escolhas que fazemos na vida. Tânia teve formação consolidada por excelentes professores no Brasil e na Espanha. Em sua trajetória artística, já realizou mais de 40 exposições no Brasil e no exterior, alem de atuação como ministrante de cursos de cerâmica e mosaico. O que fica claro no trabalho de Tânia: ela é  uma artista da fatura, de pegar na massa, de fazer sua matéria prima, de lapidar o barro. Diz a artista que o que mais a encanta na arte cerâmica é a pesquisa com a matéria prima, os efeitos de textura e oxidações com queimas em alta e baixa temperatura, mas não prescinde de seu compromisso com a alma, como define seu processo, em que imaginação e criação suplantam razão e intelecto. Todavia, não resta dúvida de que se a emoção predomina na concepção da forma, a razão prevalece no trato com a matéria, no respeito a especificidade do material. Esta exposição, à qual a artista deu o nome de “especulações profundas de simbioses ocultas” já é por si, nome denso e complicado de desbravar. Mas a obra, nem tanto. O que Tânia quer mesmo, parece, é penetrar no fundo do oceano, no oceano profundo, como ela define e através de seu olhar, nos mostrar mais e mais do que as vezes nosso olhar apressado não nos permite ver. Ou se o vimos, não o vimos como ela. Parece um jogo simples, mas não é. Para realizar esta exposição e suas obras, Tânia mergulhou, literalmente na pesquisa sobre o oceano, seus mistérios, suas formas, suas cores, seus animais, suas formas orgânicas e inorgânicas, suas belezas, a biodiversidade marinha, para a qual quer chamar a atenção, pensando em sua conservação, manutenção e preservação.  Apresenta recifes de corais, anêmonas e passifloras, rodolitos, estrelas do mar, ouriços do mar, águas vivas, filos poríferos espongiários, esponjas marinhas. Universo sem fim. Ao se aproximar da imensidão deste universo diante do qual sente medo e ao mesmo tempo, curiosidade, visando superar ambos os sentimentos, como expressa em poema, nos contempla com uma obra em que, sem pressa e sem ruídos, o tempo passa sobre as areias, poríferos se reproduzem, rodolitos se transformam, equinodermos se regeneram, cnidários se agregam, possidônias descansam, passifloras brilham, anêmonas bailam. O oceano, que na pintura ocidental, sempre recebeu em seus temas fundadores, uma extensa e recorrente representação, recebe, por meio das mãos de Tânia Correa, mais uma visada em seus mistérios, pois as obras de arte produzem sentido por relações, o destino delas é ser constelar. Quando entramos em contato com a obra, imediatamente pensamos em outra. Ninguém olha para elas sem criar relações. O oceano e seus mistérios estão como enigma, querendo que os decifremos também. O trabalho está para ser partilhado, apreciado, sentido. Fica o convite.

Sandra Makowiecky